O Hospital América, da Hapvida, criou o "Cantinho da
Amamentação". Localizado no hall da unidade, ele oferece acolhimento extra
a gestantes, puérperas e familiares. O espaço, que integra as ações do Agosto
Dourado, não substitui a consulta médica, mas funciona como um ponto de apoio
prático para dúvidas sobre posição, pega correta e ordenha. A iniciativa faz
parte de um conjunto de ações da equipe pediátrica do Hospital América, que
promoveu cursos, treinamentos e orientações direcionadas a lactantes, pais e
familiares nos períodos pré e pós-parto.
De acordo com o pediatra Danilo Magalhães, médico
intensivista neonatal do Hospital América e membro da comissão de aleitamento
materno da unidade, todos possuem suas funções bem definidas para garantir um
melhor acolhimento para as famílias. "Amamentação é o exemplo mais claro
de cuidado que nenhuma categoria resolve sozinha", afirma o pediatra.
A equipe multiprofissional, composta por enfermeiros,
pediatras e fonoaudiólogos atua de forma alinhada para apoiar a família. A
enfermagem acompanha o processo de sucção e corrige o posicionamento; o
pediatra avalia peso, icterícia e sinais de baixa oferta; e a fonoaudiologia
realiza o teste da linguinha, atuando nos casos mais complexos.
O médico também derruba mitos que ainda assombram as mães.
Sobre o "leite fraco", ele é taxativo: "Leite fraco não existe
como categoria biológica. O que existe é um leite que a mãe acha mais fraco, e
ele é mesmo! No início da mamada, o leite é mais claro, o teor de gordura sobe
ao longo do processo e garante a saciedade do bebê". O especialista ainda
alerta sobre oferecer chás ou água nos primeiros meses, trazendo risco real de
intoxicação hídrica e ocupação do espaço gástrico, reduzindo a sucção do recém-nascido.
Sobre o tamanho das mamas, a orientação é clara: não há
relação com a quantidade de leite. "Quem produz leite é o tecido
glandular, e a produção é comandada por prolactina, ocitocina e pela remoção
efetiva e frequente do leite", explica. E sobre a dor, ele enfatiza:
"Amamentar não precisa doer. Dor que persiste durante toda a mamada,
fissura, sangramento não é normal. É sinal de pega inadequada".
O apoio do parceiro e da família também é essencial. "O
apoio do parceiro é uma das variáveis mais consistentemente associadas à
duração do aleitamento exclusivo", ressalta o intensivista neonatal. Na
prática, isso significa assumir trocas, banhos, arrotos e a organização da casa
para proteger o sono da mãe.
Por fim, Danilo Magalhães deixa uma mensagem direta para as
mães que enfrentam dificuldades: "Quando a fórmula é necessária, ela não é
fracasso: é tratamento". Ele pede que as mães não se calem diante da dor.
"A maior parte dos desmames que eu vejo não aconteceu por falta de leite
nem por falta de vontade, aconteceu por uma fissura que ninguém olhou, por uma
pega que ninguém corrigiu, por uma noite ruim em que ninguém ajudou." O
Cantinho da Amamentação é uma porta aberta para que essa ajuda chegue no momento
certo.


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